Da madrugada passada.. (por isso, obviamente actual):
Na métrica do desencaixe
Por vezes, querer
sem disso esperar obter
mais que a vontade
implícita. Pois há-de
alguém compreender
o dito em sigilo?
Por vezes, esquecer
torna-se o asilo
possível. Pois há-de
servir a insistência
no que não foi (saudade,
ainda assim)? Dormência,
por vezes, semi-doença que
se instala. Pois há-de a mente
reflectir, quando sempre mente
no agir? Um passeio no parque
o bálsamo, por vezes.
Pois há-de haver remédio
para evitar o tédio
duma prisão? Por vezes,
tranquilidade nasce
do vento, do mar, da paz
que um olhar traz, se
na calma absorto. Apraz,
por fim, respirar. Sopra
a inspiração ao de leve, a cada
passo, novo andar. Oh, pra
quê bocejar? Mas junto à entrada
duma nova divisão, o inconstante
é sempre porteiro, e não obstante
a força de ser, frescura das criações,
inventa e impõe novas limitações.